Uma pequena folha

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Tu eras também uma pequena folha

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Pablo Neruda

Quantas folhas o vento outonal espalha pelo caminho amplo da nossa vida, mesmo nas frestas, fissuras, cantos escondidos da nossa alma. Milhares e todas um tanto parecidas, partes da natureza que teimam em permanecer no ciclo da terra. E se uma folhinha como as outras for carregada pelo vento e repousar justo no lugar onde é tão difícil controlar entradas e saídas, duração e intensidade? Mais raro ainda essa visitante que chega de mansinho ficar ali tão desavisada, sem barulho algum e com toda a delicadeza dessas espécies tão singelas, e insista em demorar-se, a ponto de criar raízes.

Como é bonito o amor que chega aos poucos sem esforço, sem arrebatamentos, apenas a plena união, a consonância e já é primavera.

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