Cinco músicas para gostar d’Os Mutantes

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Esta é uma banda que eu sempre quis conhecer melhor. Apesar de o trabalho deles ter mais relevância quanto à novidade e ao experimentalismo, acredito que as músicas da Rita Lee sejam mais conhecidas, para mim, pelo menos, sim. As canções mais famosas deles ouvi primeiro por meio de covers da Marisa Monte, Pato Fu, entre outros. E algumas nem sabia que se tratavam de covers, como “Qualquer Bobagem”.

Quando era adolescente, tive uma febre de um mês de Beastie Boys, o que não é muito a minha cara, rs, mas me lembro claramente deles citando influência dos Mutantes e uma VJ da MTV presenteando-os com vinis, então já ficou anotado na minha caderneta mental – isso porque a minha Internet discada dificultava baixar mp3 e acho que ainda não existia streaming. Durante a faculdade, minha amiga Iasmin ouvia muito rock progressivo e tinha um grande interesse pela tropicália, acabamos até fazendo um trabalho sobre o tema, mas mesmo assim nunca tinha ouvido todos os álbuns dos Mutantes.

Chegou a hora! Claro que hoje temos os ouvidos amortecidos, é difícil saber como era para as pessoas dos anos 60 e 70 ouvir sons tão diferentes. Se você também decidir escutar mais dos Mutantes, aconselho fazê-lo com fones, porque o som é tão experimental e rico que, de outra forma, muito se perde. Isso se você tiver mais de trinta anos. Sabia que existem sons que só pessoas com menos de trinta anos conseguem ouvir?

  1. Panis et Circenses

Essa música é do Gilberto Gil e do Caetano Veloso, faz parte do álbum “Tropicália ou panis et circensis”, que introduziu à música brasileira o rock psicodélico e a guitarra elétrica. Existiam aqueles grupinhos pró e contra guitarra. Lembro de uma entrevista em que a Rita Lee conta que a Elis Regina era do grupo contra, elas não eram amigas a princípio, mas quando a Rita ficou presa grávida, Elis foi à prisão e fez um escândalo para defendê-la. A partir daí ficaram amiguinhas.

O pão e circo é aquela política inventada pelos romanos para que o povo não se revoltasse contra os políticos. Incluem-se aí as lutas entre os gladiadores, durante as quais as pessoas recebiam pão gratuito. A música relembra que a vida não é apenas nascer e morrer, fazer o que é esperado e contentar-se com pouco. Deve haver espaço para o novo, para a alegria, para a arte. (Fonte)

2. Não vá se perder por aí

Essa já é bem familiar aqui no blog, está sempre no meu resumo da semana, agora quando você ler essa parte, tem que ser cantando! ♫ ♪ ♫ Não vá se perder por aííí ♫ ♪ ♫

Na maior parte das músicas, o questionamento vem pela ironia. A série de conselhos na letra entre “faça” e “não faça” relata bem o que eles não estavam dispostos a seguir: as ideias e normas dos demais.

3. Ando meio desligado

Em um plano, a letra remete às sensações causadas por drogas, mas também há outras interpretações que relacionam a música ao silenciamento imposto à juventude pela ditadura, e a aclamação final ao Brasil poderia ser tanto uma provocação aos nacionalistas, como uma conclamação ao futuro do país. Fonte 1 e fonte 2. Quando eu ouço essa música, na verdade sinto mais como uma espetada na juventude mais caretinha da época, mas talvez seja uma interpretação bem rasa minha.

4. Baby

Baby também é de Caetano Veloso. No primeiro disco dos Mutantes, aparece a versão em português e, em O Jardim Elétrico, surge a letra em inglês. Agora uma interpretação bem minha que pode ser nada a ver: na letra em português, vejo as necessidades das pessoas no fim dos anos 1960 para estarem inseridas na normalidade da sociedade, já na versão em inglês, os interlocutores mudam e talvez seja um convite ao estrangeiro a abrir os olhos para o Brasil, para a América Latina. Me lembra até Cem Anos de Solidão. Viajei? Talvez… hehe

5. Balada do Louco

Essa é a música deles que mais me encanta e devo confessar mais uma vez que a conhecia na voz do Ney Matogrosso e não do Arnaldo Baptista. Ele comenta a composição:

” Fui até a casa do cunhado da Rita, que tem um piano, e compus uma música inspirada nas diferenças que existiam entre as pessoas. Por exemplo, tem sempre alguém superior à você. Pra falar a verdade, naquela semana tinha levado um chute de uma menina no karatê, que até sangrou meu pé… Então, pensei, foi falta de apoio, etc., mas não era isso: ela era melhor do que eu mesmo… Levei adiante neste sentido com entidades que eu achava maravilhosas, como Alan Delon… Depois mostrei para a Rita, que deu uma sutileza, o lado poético dela também…” (Fonte)

Claro que eu nunca ia imaginar nada de karatê e vejo essa música como uma ode ao ser (como verbo) e à arte. “Mas louco é quem me diz e não é feliz”. Como posso dizer como outra pessoa deveria viver se eu mesmo não sou feliz com a minha vida? Não que a felicidade dê esse direito, mas ninguém sabe o jeito “certo” de viver para cada pessoa, nem ela mesma, que lida com todos seus sentimentos, frustrações, necessidades, imagine o outro que está fora de tudo isso.

Quando ele canta “Se eles têm três carros/Eu posso voar”, sinto como é precioso criar por meio da arte um voo único que ninguém mais poderia comprar. 🙂

Rita Lee Jovem

Rita Lee novinha manda um sorrisinho para você!

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29 comentários em “Cinco músicas para gostar d’Os Mutantes

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  1. Muito bom, Val!!! O “Tropicalia” e o segundo disco dos Mutantes estão na minha lista dos 10 mais de todos os tempos. Gosto desde criança, meu irmão mais velho tinha os dois em vinil. Escrevi sobre cada um deles no Rockontro! Uma abraço! É isso aí, menina!!!

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    1. Oi, Cris! 🙂 Não são sete porque ia dar o maior trabalhão… duas são muito pouco, né? Talvez eu pudesse ser mais versátil, realmente… hehe… Mas Acho que acrescenta algo ao desafio ter um número definido 🙂 Eu tinha um outro blog só de listas, tudo era cinco, cinco músicas, cinco livros, cinco poemas, esse sim acabou ficando meio chato. eheh Mas eu deveria ter mantido alguns posts, poderia até revivê-los aqui 🙂 Bjos, Cris!! Obrigada pela visita!

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  2. Mandou bem Val! Sou de uma geração que cresceu ouvindo Os Mutantes, Secos e Molhados, Made in Brasil, Baden Powell, João Gilberto, entre outros que ousaram. Enquanto meus pais se deleitavam com a Jovem Guarda, minha estimada madrinha (sempre mais moderninha, menos careta, mais hippie do que cocota) ouvia e me apresentava a esse universo paralelo que dava passos ruidosos no cenário da música nacional criando uma forma diferente de expressão musical para nossa cultura. Graças a ela, muito cedo, minhas preferências musicais penderam mais para o retrato contraditório do Brasil na voz e psicodelimo do Ney Matogrosso, ainda nos Secos e Molhados ao Iê Iê Iê de Roberto e Erasmo Carlos. Todos muito importantes para a nossa cultura musical, sem dúvida. Mas gosto é assim mesmo, cada um desenvolve o próprio. O lado bom do tempo que passa e nos modifica, é que este contribui para que a maturidade nos permita ouvir um pouco de tudo, sendo menos crítico e mais mutante! Parabéns!

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    1. Muito legal seu comentário, concordo bastante. Tenho ouvido tanta coisa diferente que, vai saber, daqui a pouco me arrisco até em um axé! Rs… 🙂 engraçado que sempre há alguém para iniciar no caminho musical, né? Uma ou mais pessoas, até. Beijos e obrigada!!

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