Cinco músicas para gostar da K. D. Lang

músicas kd lang

Outro dia vi no blog ChronosFeR uma lista de versões de Hallelujah, sobre a qual já falei aqui quando escolhi as cinco músicas para gostar do Leonard Cohen. Entre essas versões estava uma da K. D. Lang. Eu fiquei pensando por que não conhecia mais músicas dela, pois sempre amei Constant Craving (anos 90 <3) e a versão dela de The Air that I Breathe é daquelas músicas que você ouve e para tudo para apreciar, de tão intensa, sabe?

Comecei a procurar informações sobre ela e não há quase nada em português, achei super estranho. Então, com as duas músicas citadas em mente e talvez a Hallelujah de terceira, decidi ouvir a discografia completa, pensando que poderia haver mais alguns diamantes escondidos! Talvez eu devesse falar sobre músicos de que já gosto, ouvir tudo do zero (do 3, vai hehe) dá um trabalho enorme, mas é recompensador.

A K. D. Lang é canadense e começou sua carreira cantando mais músicas country. Isso deu medo porque é um gênero com o qual não estou muito acostumada e não tenho paciência. Não consigo gostar muito. Os álbuns foram se seguindo e eu pensando “me ferrei”. Rs! Em 1987, ela ficou conhecida internacionalmente por uma parceria com Roy Orbinson, “Crying”:

As coisas começaram a mudar com Shadowland, de 1988, e, em 1992, ela lançou o álbum Ingénue, que é maravilhoso, sem muita influência country e, na minha opinião, mostrando muito mais da voz dela. Não sei se nos álbuns country eu que não conseguia me concentrar muito na voz em meio a banjos, harmônicas e violinos. Ingénue foi meu preferido e tenho certeza de que vou ouvir ainda muitas vezes, é lindo demais.

Dois álbuns que também chamam a atenção na discografia são “A Wonderful World”, gravado em dueto com Tonny Bennet, e “Hymns of the 49th Parallel”, com canções de compositores canadenses (<3), como o próprio Leonard Cohen e Neil Young. Ela é uma grande intérprete, por isso fiquei feliz de ouvir suas versões para standards e clássicos. Algum dia gostarei de country? Não sei…Nem o Robert Plant conseguiu fazer isso ainda, mas estou aberta a negociações. 😉

  1. Outside myself

Essa é para você ouvir quando estiver bem triste e chorar cantando a plenos pulmões “I’ve been outside myself for so loooong”. Quando uma pessoa defende muito determinado tema, geralmente se trata de algo que ela sabe que não sabe e precisa aprender, por isso a repetição. Como uma pessoa que sempre fala como o dinheiro não é o mais importante. Se ela realmente estivesse convicta disso, seria algo natural, ela não precisaria professar essas palavras a todo instante, sabe? E por que será que aqui no blog eu só falo de amor, como é importante amar as pessoas? Pode reparar, leitor, eu falo disso o tempo todo.

“Outside myself” falou tão profundamente comigo. Eu me sinto com essa camada fina de gelo sobre meu corpo, com o coração congelado, incapaz de amar, sem vontade de entender e achar explicações, o que eu sempre fiz, sempre fiz intensas ginásticas mentais para encontrar razões para o modo como alguns familiares me fizeram sofrer tanto. Não quero mais criar explicações, não quero entender. O problema é que congelar os sentimentos é igual a pôr o coração na garrafa, você não consegue guardar só uma partezinha, seu coração inteiro vai junto e eu tenho muito medo disso. Medo porque eu não sei lidar com o egoísmo das pessoas e me recuso a aceitar, porque seria pura hipocrisia comigo, com meus sentimentos. Eu tinha que ser muito superior espiritualmente para deixar tudo para lá. Não são acontecimentos pontuais. É o modo de ser, de agir, de falar, de olhar das pessoas, elas não vão mudar. São todas as ações que só fazem magoar. Tenho muito medo de perder a capacidade de amar. “Every feeling I had is close to gone – I’ve been outside myself for so long” (Cada sentimento que eu tinha está prestes a me deixar – Estive fora de mim mesma por tanto tempo). Obrigada, blog. FOR SOOOO LONG.

2. Constant Craving

Essa música de 1992 foi escrita pela K. D. Lang  e por Ben Mink, e é a mais famosa da carreira dela. Soa familiar para você? Para Mick Jagger e Keith Richards, sim. Eles escreveram “Anybody Seen My Baby?” em 1997 e a filha do Keith achou que as duas músicas se pareciam demais. A história teve um fim legal, porque K.D. e Mink receberam créditos pela coautoria da música dos Rolling Stones, o que acabou sendo uma honra, segundo a própria cantora. Curioso é que a K. D. também admitiu que a melodia foi inspirada na músida de um jogo, Spidertronic. (Fonte) Será que nada se cria mesmo? 🙂

3. The air that I breathe

Amo demais a versão dela para a música do The Hollies. Passa muito a sensação de paz e contentamento, de que nada mais é necessário, naquele exato momento All we need is love. Essa canção está no cd Drag, em que todas as músicas têm o cigarro, fumacinhas e vício em comum. O tema é controverso, mas depois desse CD, podemos ouvir a música da Xuxa para nos redimir. 😉

4. My Old Addiction

Essa música é de David Wilcox e também está no álbum Drag. Fiquei super em dúvida sobre quais músicas escolher, mas um voto muito seguro foi para “My Old Addiction” porque amei a voz dela nessa canção. Parece que ela sabe exatamente o que está fazendo, não canta nada demais nem de menos e é tudo tão repleto de sentimentos. Eu precisava dessa música, com essa voz, na minha vida.

Neste vídeo, ela comenta como foi difícil gravar a música e diz que se o intérprete vai muito a fundo na própria emoção, o sentimento não é passado ao ouvinte, mesmo que o cantor sinta que a música estava fantástica. Ela acabou gravando a canção em um dia em que estava menos emotiva e, no final, acabou chorando, mesmo assim:

5. Simple

Segundo a K. D. Lang, o amor é simples. Essa música é tão linda que a gente até acredita. 🙂 Acho que o amor é simples quando as pessoas sabem amar e existe equilíbrio, quando há o sublime amor e essa capacidade extra-humana de amar sem esperar nada em troca. Love is simple.

Dê uma chance às músicas, são muito lindas. Minha lista inicial, já muito lapidada, continha 13 canções, as que permaneceram são mais do que diamantes. 🙂

Beijos e até mais!

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12 comentários sobre “Cinco músicas para gostar da K. D. Lang

  1. Val, algo que aprendi, e que deve ser um exercício diário, é aceitar as pessoas, nesse caso em especial os familiares, como elas são. atitudes, sem dúvida, são passíveis de mudanças, mas é inútil esperarmos isso. sabe, outra coisa que tenho aprendido e que adoro exercitar porque realmente produz um resultado incrível é acumular brasas na cabeça das pessoas. você com certeza entende essa expressão. experimente fazer isso, você não tem ideia do quanto funciona. ora, vê lá se quem escreve assim, com tanta emoção e transparência, pode deixar de amar? tua escrita vai de encontro ao teu medo. abrande teu coração. deixe apenas que ele respire. você fala de amor o tempo todo porque é isso que é teu norte. é teu leme. solta o cabo da nau, toma os remos nas mãos, e vai. Bj grande querida.

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    1. Cris, você é demais, de outro mundo. Amei seu comentário. Você escreve tão bem, que tudo o que você fala me comove. Não é como quando alguém dá um conselho e por orgulho a gente logo o repele, sabe? Suas palavras sempre denotam carinho, preocupação e muita sabedoria. Lindo demais o que você falou, espero ir aprendendo aos poucos. Acho que na insistência, um dia algum aprendizado brota, né? Seu blog é demais, às vezes não entendo exatamente sobre o que você está falando, mas consigo sentir. Você escreve tão bem, queria que você tivesse um livro 🙂 Acho que você é minha escritora favorita que não tem livro hehe Obrigada por tudo!! A música que você postou com o Paulinho Moska está na minha cabeça até agora. Bjos!! Muito obrigada.

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      1. Val, sinto-me imensamente feliz com o que você disse. a vida em si é um constante aprendizado, ora absorvemos ele, ora simplesmente não conseguimos isso. é assim mesmo. o que não podemos é desistir. a música quando nos toca, torna-se significativa e a gente internaliza. não tenho qualquer pretensão quanto a livro, mas, quem há de saber o que virá? obrigada Val! bjos!

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  2. K.D. Lang, Annie Lennox, Sinéad O’Connor, Tracy Chapman… esse início dos 90 é mesmo inesquecível ❤ Minha nostalgia-barra-velhice não consegue encontrar nos sons de hoje em dia a mesma potência dessas cantoras… Gostaria, but I can't. rs

    Merci por nos relembrar Constant craving, Val! Será a trilha do fim de semana ❤

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    1. Oi, papelzinha! (Tive q lutar com o corretor p/ ele me deixar escrever isso hehe) É inevitável pensar q essas cantoras sabiam o q estavam fazendo, né? 🙂 Bjinhos!!

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