Os sombrios e sofisticados contos de Edgar Allan Poe

edgar allan poe capa assassinatos contos

Edgar Allan Poe
Imagem e alguns dados da Wikipédia

Edgar Allan Poe foi o primeiro escritor americano a ter a escrita como puro ofício e fonte de renda, por isso sua vida foi difícil financeiramente.

Nascido em 1809, e precursor de muitas maneiras, é reconhecido como um dos primeiros escritores americanos de contos, considerado o inventor do gênero policial, tendo contribuído também para o gênero de ficção científica.

Sempre que um artista inicia algo, seu trabalho tem o valor multiplicado por todos aqueles que vieram após ele e construíram sua obra sobre essas bases pioneiras.

Em 1845, escreveu o poema “The Raven” (O Corvo), um marco da literatura americana e mundial, pela musicalidade, a presença do sobrenatural, a construção precisa e os jogos fonéticos (por exemplo, “raven” ao contrário, pronúncia de “never” (nunca), que se repete em “nevermore”). Na faculdade, na disciplina de Literatura Comparada, fizemos um trabalho de análise das traduções de Fernando Pessoa e Machado de Assis, e minha preferida foi do Pessoa, escolha a sua também 🙂

edgar allan poe assassinatos contos

Li a edição da Coleção da Folha de “Assassinatos na Rua Morgue e outras histórias” e a atmosfera misteriosa e sombria de Poe reflete-se em seis contos:

“Demônio da Perversidade”: O conto inicia-se com uma busca por saber o que norteia a maldade humana, ou por que os homens se arrastam ao precipício quase sem poder evitar. A narrativa e a conclusão me lembraram Dostoiévski, pelo modo como sentimos a culpa do narrador, mesmo diante do “crime perfeito”.

“Hop-Frog e os oito orangotangos acorrentados”: Meu conto preferido do livro. “Hop-Frog” é um anão que tem a função de bobo da corte de um rei opressor e passa a vida sendo ridicularizado, até que engendra uma oportunidade de se vingar do monarca e seus comparsas com a mesma acidez e atrocidade com que foi humilhado toda a vida.

“Os fatos que envolveram o caso de Mr. Valdemar”: Retrata-se o processo de hipnose de um homem no momento da morte e a narrativa demonstra que às vezes é melhor deixar os mortos onde estão!

“O gato preto”: Um dos contos mais famosos de Poe. Já tinha lido e vou confessar a vocês que esse não é o meu tipo de literatura. Fiquei enauseada o tempo todo lendo esse conto. Se você tem pena de gatos e pessoas, e é impressionado como eu, melhor parar no Hop-Frog! Não estou falando sobre a qualidade da escrita, claro. Se você quer ler uma boa resenha sobre esse conto, leia este post, para mim ficou difícil.

“Nunca aposte sua cabeça com o Diabo”: O título conta tudo, melhor prestarmos atenção ao que andamos apostando por aí!

“Assassinatos na Rua Morgue”: Poxa, gente, que post mais blé este. hehe Demorei duas semanas para escrever e agora estou aqui só para dizer que não gostei nada de ler este super clássico. Acontece. 😦 O conto principal desse livro é considerado o início do gênero policial e introduz um personagem que deu origem a muitos outros: M. Dupin, o detetive que, com inteligência incomum, desvenda os mais intrincados crimes.
Reconheço que tenho duas extremas dificuldades para lidar com esse tipo de literatura: “embarcar na fantasia” e prestar atenção às descrições.

Poe destrincha a mente humana de modo singular, porém as piores partes: o lado sagaz, perturbado, vingativo. Foi uma leitura muito desconfortável para mim. E confesso que, não sei se pela dificuldade de mergulhar na narrativa, mas o fim do último conto me decepcionou. Não sei se não consigo acompanhar as sacadas dos detetives nesse tipo de livro, mas os desfechos sempre me dão uma impressão de “ué, isso???”

Certeza de que este será o pior post de livro deste blog, então, obrigada por ter tido a paciência até aqui! 😉

edgar allan poe capa contos contracapa

Anúncios

42 comentários sobre “Os sombrios e sofisticados contos de Edgar Allan Poe

  1. Aii Val, “descobri” Poe no ano passado e me apaixonei, seus contos são incríveis e muito surpreendentes! Não curtia muito o gênero de terror / mistério, mas depois de ler “O gato preto”, “O barril de amontillado” fiquei muito impressionada. Parabéns pelo post e pelas fotos maravilhosas, só para variar! ❤ Tenha uma ótima semana! Bjos da Cah ❤

    Curtido por 2 pessoas

  2. Oi, Val!! Adorei o post! Achei muito sincero. E escrever sobre livros lidos nem sempre significa que a gente vai ter uma opinião positiva deles.
    Eu estou com um livro dele na minha lista de livros para ler, mas ainda não consegui animar.
    Cheguei a ler “O Poço e o Pêndulo” dele, mas achei muito pesado emocionalmente, então acho que vou deixar para ler o livro todo mais para frente. hehe
    Beijos!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Acho que tudo é bem pesado emocionalmente, como você falou!! Só Assassinatos da Rua Morgue que achei até meio cômico por ter um final “ué?” hehehe Beijos e obrigada!! 😉

      Curtir

  3. Oi, Val! Eu já li “O Homem da Multidão” para a faculdade. Esse conto é um clássico para quem estuda Comunicação, inclusive eu li para várias matérias. Você já leu? Se não, eu já recomendo você ler!! Gostei do post, pude conhecer outros contos do Poe! Beijos

    Curtido por 2 pessoas

  4. Eu pensava que o conto mais conhecido fosse “o corvo”. Na altura , eu li para fazer um post sobre os corvos q apareciam no meu quintal, mas passou e não fiz. Não consegui incorporar aquele ambiente sombrio e enigmático. E vc já leu este?

    Curtido por 2 pessoas

    1. Oi, Sil! “O corvo” é um poema, é o que cito no post com as traduções de Fernando Pessoa e Machado de Assis! Mudei no post, para ficar mais claro 🙂 O Corvo é demais, é sombrio, mas não dá nojo, pelo menos… rs Acho que não estou preparada emocionalmente para sangue, machadadas e decapitações…

      Curtido por 1 pessoa

  5. Pow Val, foi um post massa sobre livros 🙂 Depois vê esse livro http://www.livrariacultura.com.br/p/a-poetica-do-conto-de-poe-a-borges-um-passeio-17611309 há um tempão li o histórias extraordinárias que tinha o conto sobre o gato. nossa senhora foi sinistro demais. e tem um outro do barro de amontillado que foi doidera. Esses posts de livro são muito massa. Você coloca o livro e altas coisas relacionadas ao livro. Nesse foram as velas, o gato, o gorila e mais sensacional, a lupa! eu nao sei quem veio primeiro e se houve influencia. Mas esse M. Dupin me lembrou de um outro de nome Arsene Lupin: http://www.lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=617170&ID=810507 E tem um filme que achei legal com o Romain Duris (pow, depois do Albergue Espanhol acho que gostei muito dos outros filmes que esse cara fez): http://www.adorocinema.com/filmes/filme-52700/ Parabéns pelo poest 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Jorge, obrigada pelo comentarião! Hehe Vi todos os links que você indicou! Deve ter alguma relação o nome do Lupin, né? Talvez isso de ser um anti-herói! Obrigada mesmo, vou anotando as referências 🙂 Até mais!!

      Curtido por 1 pessoa

  6. Olá Val! Nem de longe um post ruim, pelo contrário. Entendo que não faz “muito o seu tipo” essa leitura, mas o seu texto faz com que leitores que gostam (eu, por exemplo) sintam mais vontade ainda de ler.
    Obrigado e abraço.

    Curtido por 1 pessoa

  7. Tenho o Histórias Extraordinárias, do Poe, e um outro livro com as poesias e alguns contos, com introdução do Baudelaire. Só li dois contos até agora, lendo bem aos poucos. Ele inventou mesmo um estilo e gosto muito do jeito que ele escreve, mas não gosto do gênero literário que ele criou. Li um livro do Stephen King que me entediou muito, e terminar todos os livros policiais/detetives que já comecei até agora foi uma luta, independente do autor (nem Raymond Chandler nem Conan Doyle). Então entendo sua decepção, embora os meus motivos sejam bem diferentes – não fico chocado com a violência etc., só não consigo me envolver com a história. É normal, uns estilos funcionam pra nós, outros não, a vida leitora continua, vamos nos descobrindo com isso. O que mais me agrada no Poe, que os outros não fazem, é a poesia do texto.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Que legal seu comentário! Acho que para mim são as duas coisas, além de não querer “ver” sangue e toda essa perversão descrita nos contos, o gênero policial/detetive não me agrada muito. Nunca li nenhum livro/conto nesses estilos que conduzisse a narrativa a algo realmente surpreendente e lógico. Ou você já sabe desde o começo o que acontece, e perde toda a graça, ou o final vem como o de Assassinatos na Rua Morgue, que não vou contar porque talvez você queira ler, mas surge algo inesperado, uma outra variável que não tinha nada a ver com o contexto. Não consigo embarcar mesmo… E, como você falou, a escrita poética poderia ser mais relevante que todo o resto, mas a maioria dos outros escritores não demonstra uma habilidade peculiar com as palavras. Obrigada pelo comentário, adorei! Até mais 🙂

      Curtir

  8. Confesso que nunca li Poe! Esta na lista dos livros que lerei este ano. Mas acontece, né? As vezes aquele genero ou um escritor nao nos agradam mesmo! Super justo o seu relato, Val!
    Beijocas ❤

    Curtido por 1 pessoa

    1. Pois é, acontece! rs mas os próximos da fila sei q vou amar, então estou animada 😉 boa sorte com Poe, a linguagem dele é bem legal! Bjos!!

      Curtir

  9. Confesso que quando li A Queda da Casa de Usher, eu fiquei meio desapontada. Mas não achei ruim. Fiz uma apresentação sobre Poe no meu curso de inglês, e acho que me envolvi tanto que, mesmo tendo lido tão pouca coisa dele, ele se tornou meu xodó. A vida dele é um mistério e repleta de fatos estranhos e tristes, o que influenciou mto na escrita.

    Existe uma série de animações de contos dele, é simplesmente maravilhosa. Dá pra amar o Poe pela forma como as pessoas interpretam suas obras por aí… se quiser, dps posso te mostrar 🙂
    Bjs!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Nossa, é mesmo , tem tb A Queda da Casa de Usher, li na faculdade. Quando você tiver um tempinho, mostre sim as coisas legais sobre Edgar Allan Poe!! O conto dos assassinatos na Rua Morgue me decepcionou pelo final, mas acredito piamente que eu que não embarco na leitura… Bjos e obrigada!!

      Curtido por 1 pessoa

  10. Amo Poe!! ❤ ❤ Meu Deus, onde vc conseguiu esse marcador de texto do gato preto (a.k.a meu conto preferido dele)? Veio junto com o livro? Amei seu texto, nunca tinha percebido que "never" era uma inversão de "raven" – me faz admirar ainda mais esse gênio. Bjos!

    Curtido por 1 pessoa

    1. O gato preto e o gorila eu mesma que recortei hehe 🙂 Acho que o Poe tem muitos segredinhos de lingaugem escondidos nele, quando a gente já conhece os contos, é legal ler no original tb 😉 Beijos e muuuito obrigada!!

      Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s