Erros fantásticos! Uma aula de Neil Gaiman

Sabe um livro pequeno, mas que te toca de alguma forma e você quer tê-lo e relê-lo de tempos em tempos?

Neil Gaiman Discurso Boa Arte Erros

Esse livro é o discurso “Erros Fantásticos: Faça Boa Arte” de Neil Gaiman à turma de 2012 da University of the Arts, que pode ser encontrado aqui:

Uma sacada bem legal da editora foi fazer uma diagramação toda especial e, no momento que você lê o livro pela primeira vez, isso faz a diferença, porque não é só o que o autor tem a dizer que amplia sua mente, mas também como isso é feito.

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Neil Gaiman não fez faculdade e o caminho dele foi formado muito pelo que ele escolheu no dia a dia. O que ele fala aos alunos e a nós tem muito a ver com a experiência real da vida dele, de sucessos e fracassos, não de receita pronta do bolo, e isso é muito legal.

A ênfase é nos formandos de artes, porém vamos adaptar ao conceito de “arte da vida” rs!

1rimeiro: Quando você começa a trabalhar com     arte     (inserir aqui a sua preferência), não tem a menor ideia do que está fazendo. Isso é ótimo, porque quando a gente sabe muito bem para onde está indo, perde as oportunidades maravilhosas além do limite das possibilidades. “Não saber” não é exatamente ruim. Já é um passo muito bom de reconhecimento e humildade, além de significar que há um grau de liberdade para experimentação.

neil gaiman erros fantásticos boa arte2egundo: Se você tem alguma ideia do que pretende fazer, vá e faça! Talvez seja preciso quebrar o problema grande em vários menores. Ele queria escrever romances e quadrinhos, porém,  percebeu que sendo jornalista, poderia aprender a escrever melhor e ser pago por isso.

Muitas vezes o caminho para o que a gente quer não é tão claro, tão prático. Vamos aprendendo várias habilidades e, quando vemos, esse monte de aprendizados nos ajuda, sem que a gente perceba de antemão, a alcançar nosso objetivo. Isso é especialmente verdadeiro quando temos contas a pagar. Pode ser frustrante não poder correr em busca de um objetivo por causa de obrigações que nos prendem, mas podemos aproveitar esse tempo aprendendo e tirando muitas lições. Podemos ver tudo como preparação!

Ele fala sobre como a meta de escrever ficção parecia uma montanha lá longe, mas não inatingível. Quando aparecia uma decisão difícil, ele pensava no que o deixaria mais próximo ou mais longe da montanha e teve de abdicar de muitas coisas para isso, mas continuou pelo menos pagando o aluguel e dando conta da vida enquanto seguia em direção aos sonhos.

3erceiro: Estar preparado para o fracasso. Ele compara a vida do “artista”  (já sabe, né?) a alguém que joga várias garrafas com mensagens no oceano e espera. Às vezes vem apenas um retorno em cem garrafas e isso pode ser bem desanimador.

Se você realmente quer ter um legado, algo interessante para deixar, precisa perceber que fazer as coisas puramente por dinheiro não vai adiantar. É um pouco difícil falar sobre isso no nosso país, pois milhares de pessoas trabalham para existir, simplesmente, as possibilidades podem estar muito distantes, mas estamos falando de sonhos, e é preciso buscar um mundo em que as pessoas tenham direito a sonhar, a crescer, a desenvolver seu potencial.

Quando a gente vê alguém bem-sucedido em qualquer área, parece que a vida da pessoa sempre foi assim. Ele conta sobre o primeiro livro dele, lançado por uma editora que faliu. Ele escreveu aquelas páginas puramente para ser um best-seller e, após a falência, ele não tinha nem dinheiro nem uma obra considerável. Se ele tivesse feito algo de que se orgulhasse, pelo menos a obra, ele teria.

O sucesso também traz seus problemas e ele cita a síndrome do impostor e o fato de que se você tem sucesso financeiro em uma área, pode ser muito difícil abdicar disso para buscar algo de que realmente goste, mas não seja tão bem remunerado. Se ele tivesse tido um emprego muito bem pago em um escritório, talvez não tivesse tido o tempo e a paz de espírito para escrever seus livros, então esse momento em que você só tem dinheiro para o aluguel pode estar salvando sua vida. 😉

4uarto: Se você está cometendo erros, significa que ao menos está agindo. Ele conta que o nome “Coraline” surgiu bem como poderia ter acontecido com qualquer um de nós: ele trocou as letras sem querer e então percebeu a beleza do nome.

As coisas dão errado.. e quando dão errado, “faça boa arte”. Acho que eu adaptaria para nós aqui assim: faça o que você quer/precisa fazer bem feito. E busque algo que você goste de fazer. Desenvolver algum talento torna a vida menos mecânica.

5uinto: faça algo só seu. Existe algo diferente em cada um de nós e, no fundo, podemos aprender tanto com o que deu errado quanto com o que deu certo, mas é preciso buscar essa autenticidade de alguma forma.

6exto: Como pessoas são contratadas como   freelancers    e mantêm-se como uma opção:

  1. o trabalho delas é bom;
  2. é fácil lidar com elas;
  3. elas entregam o trabalho no prazo.

E duas das características já está muito bom! Faça algumas das combinações possíveis e vai ver como seria ótimo sempre poder trabalhar com pessoas assim.

Ele fala também sobre o melhor conselho que ele recebeu na vida… e, bom, esse vou deixar para vocês descobrirem, para não estragar a surpresa total do livro e do vídeo… rs

… mas posso dar um gostinho. Não é o mesmo conselho, mas é um “primo”! Vi a Flavia Calina dizer no canal dela que foi o melhor conselho que ela já recebeu: “troque expectativa por apreciação”. Sabe um Carpe diem, mas não no sentido de deixar tudo para lá, mas sim de aproveitar bem o momento, apreciar o que está vivendo, sentir gratidão pelo que há de bom! É um exercício, porque as situações negativas são muito mais impactantes do que as positivas, então é preciso aprender a perceber o lado bom.

Ele finaliza o livro falando que o mundo está mudando. Estamos assistindo a isso. Quantas novas mídias, novas formas de fazer acontecer. E isso não deve ser intimidador, mas sim “libertador”! Eu vejo às vezes as pessoas falando do passado e me pergunto se eu queria voltar à época da minha avó, em que ela e os irmãos chegaram apenas à terceira/quarta série. Outro dia vi no Twitter alguém dizendo que as pessoas perderam de vez a vergonha de ser preconceituosas, e como discordei disso. Agora que estamos conseguindo aprender o que é preconceito de fato e como não é engraçado, nem normal.

Em um mundo em que tudo muda, até as regras, há uma ótima oportunidade para criar suas próprias regras!

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Que nossos erros sejam:

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Beijos e boas leituras!

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Obs. Já li “A Insustentável Leveza do Ser”, em breve falo dele aqui. Estou lendo “We need to talk about Kevin”, da Lionel Shriver. 😉

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15 comentários em “Erros fantásticos! Uma aula de Neil Gaiman

  1. Val! Que felicidade ao ver / ler um post novo seu 🙂 Eu simplesmente adorei a sua resenha, nunca li nada desse autor, mas esse livro me chamou a atenção, suas “lições” fazem muito sentido. Já vou colocar na minha (enorme) listinha de livros para ler! 🙂 Bjos da Cah! ❤

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    1. Ei, Cá!!
      Obrigada pela visita e pelo carinho de sempre!! Nesse livro eu paguei R$ 10 nas Americanas, então já foi uma aquisição menos dolorosa… hehehe Mas a listinha só cresce mesmo. Bjinhos e muuuito obrigada!!

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  2. Adorei o post e as “lições”. Eis ai um drama… às vezes ficamos esperando a oportunidade perfeita de buscar o sonho, quando na verdade no dia a dia já podemos ir nos preparando para ele! Fico feliz de olhar por onde passei e ver quanto contribuíram para o meu hoje. E vai seguindo assim, até que todas as peças se encaixem para o tal grande sonho se realizar! bjs, Muito bom ver você de volta por aqui!!!

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  3. Oi Val! Muito fã do Neil. Acho ele super inspirador porque trabalha com a realidade de ser humano, errar e se perder antes de se encontrar. Os discursos dele são bem parecidos com os da Shonda Rhimes também. Ambos concordam que o importante é tentar, se jogar, se arriscar. Amei teu post! 😀

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    1. Oii! Muito obrigada pelo comentário, vou procurar discursos da Shonda Rhimes tb 😉 também acredito que buscar e estar em atividade é essencial! Bjs

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