Cinco músicas para pensar na vida

… ou (tentar) sair da fossa.
… ou passar por tempos de indefinição.

Hoje não temos músicas para gostar de ninguém. Pense em um momento em que você quis muito, muito, muuuito alguma coisa e não deu certo. Quando sua cabeça formulava todos os motivos para que a outra pessoa também te quisesse, mas na verdade ela estava pensando no seu amigo… Se você perdeu todo seu dinheiro em algo que não deu em nada. Quando houve uma grande injustiça que você nunca conseguiu desfazer.

A seguir, junte a opção anterior a não ter a menor direção a seguir. A não querer nenhum sentido que apareça à sua frente. A achar o mundo extremamente injusto.

Essa semana eu estive perto de realizar um sonho. E eu geralmente me empolgo muito quando o assunto é sonho. É como se eu já estivesse vivendo tudo aquilo, por isso, quando dá errado, a queda é bem grande. Eu já tinha tudo como certo e agora que meu balão furou, estou caindo das nuvens, e não sei nem onde pousar. Era algo que ia mudar bastante a minha vida.

Aí você não sabe se você está naquele momento em que tiraram o Steve Jobs da presidência da Apple, ou todas as vezes em que Leonardo DiCaprio concorreu ao Oscar sem ganhar, quando a Madonna não foi aceita para atuar em seriados na TV, ou se simplesmente a sua vida vai ser assim mesmo e você já zoou tudo, acabou.

Para esses momentos, temos a música. Vou dizer que  na hora do “NÃO” a vontade era mesmo ouvir um bom Rock n’ Roll, mas já saí da fase da angústia e estou no próximo passo: repensar a vida, já que meu barquinho naufragou e talvez eu tenha que encontrar outro ou refazer tudo de novo. Por enquanto queria só uma madeirinha para me agarrar uns minutos, porque sonhar dá muito trabalho, despende muita energia, e chorar mais ainda… tudo isso até não sei o quê, mas pelo menos vamos ouvir belas canções.

  1. Landslide, Stacey Kent

Essa música é do Fleetwood Mac, mas eu gosto da Stacey Kent, é essa versão que tenho ouvido.

Isto é um landslide:

landslide gif

Stevie Nicks escreveu essa música em um momento em que ela e o então marido tinham gravado um disco da melhor maneira possível, tinham certeza de que seria um sucesso e a gravadora o recusou. Ela pensou: “Não estou feliz. Estou cansada. Mas não sei se conseguimos fazer nada melhor do que isso. Se ninguém gostar do disco, então o que vamos fazer?” Os empregos opcionais dela eram como garçonete ou faxineira. Lembro de ter visto outra entrevista em que ela falava que aquele era o momento crucial: eles receberam um enorme “NÃO” e ela teria de decidir se continuariam na música ou se ela estudaria alguma outra coisa. Ela disse que a decisão dela foi “Landslide”.

Essa descrição é muito do que sinto agora, mas só até a parte do “NÃO”… rs  Eu dei tudo de mim, mostrei tudo, e não foi suficiente. Na letra, isso de saber navegar nas marés, ou deixar a criança no meu coração sobrepujar tudo, saber lidar com as diferentes estações da vida. Sem contar o “I’ve built my life around you”, porque com certeza na minha cabeça eu já tinha construído todinha minha vida ao redor desse sonho…

2. Vienna, Billie Joel

Agora toda a sabedoria de De Repente 30. 🙂 Essa música é linda demais e trata dessa dualidade: queremos tudo para já… mas precisamos reconhecer que nem todos nossos sonhos vão se realizar. O difícil é ver o tempo passando e as coisas não acontecendo, como o Billie Joel explicou. O trem foi embora sem mim, como pode??

Ela me lembra de “You can’t always get what you want” dos Rolling Stones, que só não entra oficialmente na lista porque é muito animada para o meu estado atual, estou mais para Wild Horses, na verdade, e ainda não estou aceitando o conselho:

“You can’t always get what you want
But if you try sometimes, yeah
You just might find you get what you need!”

Seria mais fácil se querer e precisar se alinhassem de vez em quando, né?

3. In the wee small hours of the morning, Carly Simon

Minha versão aqui é a da Carly Simon por causa da trilha sonora de outro filme que amo, Sleepless in Seattle. Essas músicas todas são para aquele dia que está chovendo, ou quando você vai andando por uma rua, sozinha, pensando na vida.

Essa música parece um abraço. “When your lonely heart has learned its lesson”. Sabe quando você finalmente entendeu que estava errada? Que foi egoísta… que enxergou apenas o seu lado… Não é bem isso que acontece comigo agora, mas essa música me transmite essa sensação da ausência, a falta de algo que foi embora.

4. Blackbird, The Beatles

Não dá para aprender a voar com asas quebradas. Dá para tentar consertá-las. Acho que essa música é mais algo assim: pare de olhar para os machucados e seque esses olhos para poder voar. Aí repete porque ele sabe que não é falando só uma vez assim que você vai aprender, né.

5. Moon River, Lisa Hannigan

Esse deve ser o grande clássico das pessoas que querem muito “algum dia” sair da bad. Há uma luzinha bem distante, afinal.

Bom, essa foi minha trilha para lavar louça. Para chorar sozinha. Para pensar bastante na vida.

Beijos!

 

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16 comentários sobre “Cinco músicas para pensar na vida

      1. Val, feliz dia para todos nós 🙂 tem altas coisas que você escreve que eu vejo poesia. aí penso “pow se ela pegasse esse parte aqui que é uma peça única de tapeçaria poética, é um poema dentro de uma prosa poética”. não sei explicar, mas é isso 🙂 és escritora, poeta e escreverá lindos livros 🙂 (lembro que falasse que queres escrever um livro infanto-juvenil). eu sei que estamos todos no caminho e dará tudo certo 🙂 tens todo um cuidado com os livros. seus textos sobre livro tem uma capa própria, digamos que estás a fazer capas dos seus futuros livros 🙂 evoé, Val! \o/

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      2. 🙂 é tipo assim: “Enquanto o coração está irritadiço, triste, desanimado, é difícil continuar, mas é preciso”. you’re welcome val 🙂

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  1. Eu tenho certeza que é um momento saga do Leonardo di Caprio e seu Oscar. Você é muito nova, Valéria. No Brain Pickings acabo lendo muitos posts sobre a vida de escritores e as frustrações passadas e comecei a reparar como o “sucesso” demorou a vir para muitos… Como muitos tiveram suas obras reconhecidas aos 50, 60 anos de idade. Queremos tudo para ontem mesmo. Por um lado, isso é bom; empurra-nos para frente. Por outro, deixa-nos assim, acabadas, como se já fossemos muito velhas para conseguir outra coisa. Imagine o que estaremos fazendo aos 60? Talvez você seja uma super escritora de sucesso. 🙂

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