Cinco músicas para gostar do Bon Iver

Bon Iver grupo foto banda membros

Aí está uma banda que descobri por acaso e me “arrebatou”, para usar uma palavra precisa. Devia fazer uns dez anos que não conhecia algo atual que me encantasse dessa maneira. É comum surgir algum artista/grupo legal, eu gostar de uma música, porém ir atrás do restante e não encontrar aquele rio profundo que estava imaginando.

Com o Bon Iver, não… mas atenção: à primeira “audição”, tudo é um tanto parecido. Você ouve de novo, e de novo, e de repente é como se a música finalmente “entrasse em você”. Não foi instantâneo, mas amei TUDO que ouvi deles. Vale a pena ouvir de novo. É um som que desperta sensações, chega a arrepiar. É diferente sem ser pretensioso. Eles extraem muito da música, parece que sabem com o que estão lidando e também como procurar mais, ir mais fundo: não querem apenas ser uma banda legal.

Esta versão a capella e cheia de vozes de “Heavenly Father” é especial. E também um jeito de incluir mais do que apenas cinco músicas aqui 😉

Descobrir a sonoridade deles para mim foi uma experiência muito rica. Cheguei ao Bon Iver por meio da cover de “I can’t make you love me”, da Bonnie Raitt. Fato é que eu nem mesmo gostava dessa música, mas ao ouvir as primeiras teclas sendo tocadas, já soube que seria algo diferente. Fiquei viciada nessa cover e, como muitas outras pessoas, achava que o nome do artista era “Bon Iver”…

Essa interpretação é tão forte e tão delicada. Poucas pessoas “recitam” uma letra dessa forma.
“Cause I can’t make you love me if you don’t …  You can’t make your heart feel something it won’t”

Acabei descobrindo que esse é o Justin Vernon, fundador e nome principal do grupo. Tão principal que é até difícil saber quem mais integra o Bon Iver, mas tentei:

Justin Vernon:

Justin Vernon Bon Iver Individual

Sean Carey:

Sean Carey Bon Iver

Matthew McCaughan

Matthew MacCaughan bateria bon iver

Michael Lewis

Michael Lewis Bon Iver membro

Andrew Fitzpatrick

Andrew Fitspatrick bon iver individual
Difícil conhecer o rosto do Andy Fitzpatrick…

O nome do grupo vem da expressão em francês “Bon Hiver” (Bom inverno), por isso a pronúncia correta é algo como “Bon Ivér”. Em uma entrevista a um canal de TV alemão, Justin explicou que a primeira vez em que ouviu a espécie de saudação, referia-se a uma pequena cidade no Alasca, onde, à primeira geada, os habitantes saíam de suas casas, reuniam-se na praça, abraçavam-se, beijavam-se e desejavam uns aos outros um “bom inverno”. Chamou-lhe a atenção o fato de escolherem uma frase em outro idioma para esse momento de delicadeza.

Na verdade, estou um pouco atrasada. A banda foi fundada em 2007 e, em 2008, lançou o primeiro álbum independente, “For Emma, Forever Ago”. Em 2012,  eles ganharam dois prêmios Grammy, de “melhor novo artista” e “melhor álbum alternativo”, com “Bon Iver, Bon Iver”. Em 2016, foi lançado o terceiro disco, “22, A Million”, pelo qual concorrem novamente a melhor álbum alternativo.

Foi muito difícil selecionar apenas cinco, cada música deles tem uma atmosfera que em algum momento fala a nós: “Towers”, “Skinny Love”, “Creature Fear”, “Calgary”, entre outras, são fantásticas. Estou aqui só tentando ajudar alguém a conhecer uma banda incrível, mas vale a pena ouvir os três álbuns, certamente.

Estava vendo o primeiro post de música do blog, sobre a Björk, e lá busquei o que a própria artista tinha a falar de suas canções. Achei que seria uma boa maneira de tratar minha seleção aqui, pois essas músicas me trouxeram muitas sensações que não consigo, não tenho como explicar.

1. Re:Stacks

“Re: stacks” tocou em um episódio de House, então para muitas pessoas foi o primeiro contato com o Bon Iver. Justin Vernon referiu-se a essa canção como “Regarding: Stacks”, como se o título fosse um assunto de e-mail ou envelope. “Referente a:”.  “Stack” é uma palavra confusa em inglês, pode se referir a “pilha”, como de papéis ou madeira, ou ao conjunto de fichas em um jogo; no final, um tipo de pilha também. Justin Vernon esclareceu o significado em uma entrevista:

“Há uma menção a fichas de jogo, e também uma metáfora de como as coisas se acumulam. O coro é muito repetitivo, mas há letras diferentes a cada verso. É apenas um bilhão de maneiras de dizer que as coisas se acumulam e é impossível quebrá-las às vezes. Você está por baixo de tudo.”

2. Perth

“Perth” é a minha preferida, parece que encontrei o que faltava na música, de modo geral. Essa introdução já é capaz de nos transportar, por si só, e então vem esse crescendo até o refrão incrível. No álbum “Bon Iver, Bon Iver”, todas as músicas aludem a uma localidade e “Perth” refere-se à cidade australiana. Vernon explica:

“Foi a primeira coisa em que trabalhei, o riff e as melodias iniciais, foi a primeira música do disco, ‘Perth’. Isso foi no início de 2008. A razão pela qual eu a chamei assim de imediato é porque eu estava com um cara que eu não conhecia muito bem, mas, em suma, é uma longa história, mas nos três dias em que deveríamos passar todos juntos – ele é produtor de clipes musicais – nesses três dias, seu melhor amigo [Heath Ledger] morreu. E seu melhor amigo era de Perth. Acabou tornando-se o início do disco. E Perth tem um sentimento de isolamento, também rima com “birth” (nascimento), e todas as canções que eu acabei fazendo depois disso simplesmente foram em direção a esse tema, conectando-se a lugares e tentando explicar quais são os lugares e quais não são”. (Fonte).

3. Holocene

Sobre “Holocene”, Justin Vernon explicou à revista Mojo: “É em parte nomeada em referência à era (geológica), mas também é o nome de um bar em Portland onde eu tive uma noite escura da alma.” Também afirmou que “o título é uma metáfora para quando você não está se sentindo bem. Mas também uma canção sobre a redenção e perceber que você tem algum valor, que você é especial e não especial, ao mesmo tempo.” (Fonte)

Por aí, dá para notar que até para o próprio autor da música é difícil descrevê-la. Sobre ser e não ser especial, entendo que todos fazemos parte de uma época e somos um em algum sentido, no entanto, cada pessoa é única à sua própria maneira.

4. Beth/rest

Essa música tem um gostinho de anos 80, né? Em algumas entrevistas, Justin disse que essa era a sua preferida do álbum. Ele explicou que Perth, com a referência a “birth”, é a primeira do álbum e “Beth/Rest”, sendo a última, parece sinalizar uma morte, mas não no mau sentido:

“‘Beth/Rest’ é a morte, mas é uma boa morte, é um bom inverno, é um descanso, não é a coisa final. ‘Beth’ parece um nome muito legal para um lugar ao qual você se dirige apenas a fim de estar no paraíso para sempre … E é o nome de uma mulher, também. “Rest” (descanso) é algo em andamento – Beth/Rest, a canção, soa como algo eterno. É meio que atemporal, e você pode ser transportado a lugares muito elevados durante essa música.” (Fonte.)

5. 8 (circle)

Depois de fazer dois álbuns tão bons, deve ter ficado a dúvida “Para onde vai o Bon Iver agora?” E realmente foi a um destino um pouco diferente. O último álbum tem muito mais elementos eletrônicos. Lembro de uma entrevista em que a Björk disse que a música eletrônica pode ter sim, sentimento, pois a arte tem o sentimento que nós atribuímos a ela tanto na criação quanto na apreciação.

Os nomes das músicas e arte do álbum vêm todos cheios de simbolismos, como nessa faixa, em que há claramente o símbolo do infinito e os parênteses remetendo ao próprio círculo:

“Os símbolos surgem naturalmente para mim, e é por isso que eu os uso tanto: ícones, sinais, símbolos – são fragmentos culturais e um deles bem realizado pode penetrar tão profundamente em nossa linguagem. Tenho os colecionado mentalmente por toda a vida.” (Fonte)

É isso, pessoal! Espero que tenham gostado dessa banda incrível, que eu amei conhecer este ano. Caso tenham sugestões, vou adorar recebê-las!

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14 comentários em “Cinco músicas para gostar do Bon Iver

    1. Oi, Munique, tudo bem? Citei essa música, entre outras, no texto. É difícil escolher apenas cinco, né? RS ainda mais deles, que, sinceramente, amei Tuuudo que ouvi até agora 🙂 bjs e obrigada!

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      1. Logo eles vem! Certeza! Eles são tipo Mumford & Sons, só que gostoso de um jeito diferente, com suas peculiaridades e ainda não tão estourados, mas o mundo todo há de conhecer esses lindos!

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  1. Ótima dica! Não conhecia. É música que vem da alma… dá uma sensação de “tribo”, é gostoso ouvir uma banda com essência. Clap, clap, clap!

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  2. Pingback: 1 Pedra no Caminho
    1. As letras são bem intrincadas mesmo. Tento ver os versos separadamente, e pensar mais na sonoridade, do que realmente algo sendo contado. Bjs, Rayane!

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