O Gato e o Escuro, de Mia Couto

Vocês já sabem que, para mim, livros são o melhor presente… e que literatura infantil é uma das minhas paixões! Imaginem como eu me senti ao ganhar, de uma criança, um livro escrito para os pequenos, de um dos meus autores preferidos?

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Amei!

Estamos falando de “O Gato e o Escuro”, do escritor moçambicano Mia Couto, com ilustrações de Marilda Castanha.

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Antes de conhecermos a narrativa, Mia fala um pouco sobre o ato de escrever. Para ele, não deveria se falar em “livros para crianças”, afinal, ninguém diz “livros para adultos”:

“O que me encanta no acto da escrita é surpreender tanto a escrita como a língua em estado de infância. E lidar com o idioma como se ele ainda estivesse em fase de construção, do mesmo modo que uma criança converte o mundo inteiro num brinquedo.” (Mia Couto)

É isso mesmo que vemos nos escritos de Mia Couto. Já comentei “O Último Voo do Flamingo” aqui, é o meu preferido dele, um verdadeiro encanto poético, uma brincadeira com as palavras e seus significados.

Ele prossegue dizendo que contava histórias para seus filhos dormirem, e que sente como se o escritor embalasse o mundo, trazendo “o planeta ao colo”. Como se o que lemos tivesse essa magia do acalanto, de proteção, justamente no momento mais escuro, que é quando vêm à tona nossos piores temores.

O gato desta história está aqui para nos mostrar que não precisamos ter medo do desconhecido; pois quem quer cultivar nossos temores apenas procura lançar um artifício para roubar nossa curiosidade. Para Mia Couto, esta é uma história “contra o medo”. (Lembram-se da Pupa?)

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Vamos a história, então…

Este gato, que agora vemos preto, outrora havia sido amarelo, com manchinhas brancas, e chamavam-lhe “Pintalgato”. Ocorre que ele gostava muito de passear ao pôr-do-sol.

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Sua mãe, sempre muito preocupada, pedia-lhe que não ultrapassasse o sol poente, pois dali em diante havia muitos perigos. Claro que toda proibição gera interesse, e o gatinho sempre dava um jeito de espreitar o que ocorria do lado de lá, até que um dia tomou coragem e partiu para a escuridão.

À medida que embarcava nessa aventura, percebeu que sua pele ia escurecendo, e começou a chorar. Quem veio lhe acudir foi o próprio escuro… Ele mesmo tinha uma vida muito triste, pois não via nada, estava sempre distante de todos.

Estavam os dois queixando-se assim, quando surgiu a mãe do gato para os dois consolar. Ela diz ao escuro que ele era lindo do jeito que era, e que as pessoas não tinham medo dele, e sim do próprio escuro que existe dentro de cada um, onde se despejam fobias e inseguranças.

Assim a mãe gata foi acarinhando o escuro e cuidando dele, até o gatinho perceber que tudo não se passava de um sonho e que, na verdade, ele e o escuro eram uma alma só.

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Mais um livro mágico para pessoas grandes e pequenas perceberem que os temores nascem dentro de cada um, que nós os alimentamos, fortalecemos, deixamos crescer. Quanto mais cedo percebermos que cabe a nós não criarmos uma casinha quente para ele se instalar, melhor conviveremos com os caminhos obscuros da nossa própria mente.

Lindas as ilustrações da brasileira Marilda Castanha, ajudam-nos a mergulhar prontamente nas ideias do autor.

Amei o livro e amei mais ainda ganhá-lo de presente. Não tenho filhos, mas imagino que meio incrível para os pais conversarem com as crianças sobre medos, pois comigo mesma, já bem grandinha, houve um diálogo intenso. 😉

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16 comentários sobre “O Gato e o Escuro, de Mia Couto

  1. Ah, que dedicação mais fofa! ❤ Os livros infantis são tão adultos, às vezes, né? As suas lições sempre mexem com a gente independente da idade. Ontem mesmo li um livro infanto-juvenil chamado Por um simples café que tocou na alma!

    Beijo, Val!

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    1. Verdade, Brenda, me sinto assim com esses livros também. 🙂 Quem, a qualquer idade, não tem medos e não precisa aprender a lidar com os lados obscuros da vida e da alma, né? Bjs!

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  2. Também sou completamente apaixonada pelo Mia Couto! Tem uma palestra dele na internet que ele também fala sobre o medo. É sensacional! Não sei se você chegou a assistir, mas vale muito a pena! Fiquei com vontade de ter esse livro por aqui também… Que linda a história e a sua opinião sobre ela!! ❤

    Curtido por 1 pessoa

    1. Que legal, Fernanda!! Não conheço a palestra, claro que vou procurar 😉 Muito obrigada pela visita e fico feliz que tenha gostado do livro e do post 😉 Bjs!

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  3. Que gracinha! Não conhecia esse livro… Do Mia Couto só tenho um livro de poesias (sim, por incrível que pareça rs vou me arriscar com ele!). Tenho muita curiosidade de ler os livros dele, lembro que minha irmã fez o trabalho dela de graduação sobre ele, e nessa época eu já tinha um certo fascínio pelo autor, por causa de seu nome. Vamos ver se gosto do trabalho dele também.

    Um beijo!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Nathália! A escrita dele é muito delicada, é difícil não gostar 😉 Claro que cada um tem suas preferências, né? hehe Quando a gente fala “Mia” parece que é mulher, né? Você falou agora e fiquei curiosa pq ele escolheu esse pseudônimo… vamos ver se acho 😉 Bjs!

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