Cinco músicas para gostar do Pink Floyd

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Que tarefa difícil me propus hoje, hein? Tenham em mente que as músicas que escolhi não são um “top 5”, e sim uma introdução à banda, algo como “Pink Floyd para iniciantes”.

Formação

Os membros originais se alternaram em bandas com nomes e formações diferentes, porém o site oficial menciona o início do Pink Floyd em 1965, com os membros originais: Syd Barrett, Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright.

pink floyd formação original syd barrett
Foto da Rolling Stone com a formação original

Talvez a primeira curiosidade que você tenha seja o nome da banda. Em português, é fácil associar o termo a um “fluido rosa”, mas a palavra “floyd” nem mesmo existe em inglês. Houve diversos nomes até chegar a “Tea Set” (aparelho de chá!), e temos de ser muito gratos à outra banda que já existia com esse nome, que fez com que Syd Barrett, líder do grupo, na época, precisasse improvisar “The Pink Floyd Sound”, misturando os nomes dos músicos de blues Pink Anderson e Floyd Council.

Syd Barrett foi uma pessoa emblemática nesse início, principalmente devido à sua originalidade, porém, atribuem-se à vida estressante na estrada e ao alto consumo de drogas a deterioração de sua saúde mental. David Gilmour foi integrado em 1967 e, em 1968, Syd oficialmente saiu da banda.

  1. Another brick in the wall (part 2)

Hey! Teachers! Leave them kids alone!
All in all it’s just another brick in the wall.

Roger Waters compôs a maior parte das músicas de “The Wall” e, segundo ele, a ideia surgiu entre 1975 e 1977, quando eles começaram a fazer shows em grandes estádios, e ele sabia que muitos eram fãs da banda, porém boa parte estava ali só para se divertir e beber, como se houvesse um muro distanciando a banda e os fãs. De modo mais geral, esse “muro” pode ser interpretado como a barreira de isolamento que construímos no decorrer de nossas vidas, e os tijolos, as pessoas e os acontecimentos que nos afastam ou nos aproximam dos demais. (Fonte)

O Pink Floyd produziu um filme chamado “The Wall”, lançado em 1982, cujo personagem principal, “Pink”, é um astro do rock que vive os eventos descritos no álbum. A morte do pai, a superproteção da mãe, o autoritarismo da escola e o uso de drogas são algumas das várias partes que compõem o “Muro” de separação.

“Another Brick in the Wall” possui três partes, a primeira fala sobre o pai, consequentemente sobre a família; a segunda, sobre o sistema educacional rígido e ditatorial e, na terceira, a personagem se convence de que não precisa de ninguém e que, afinal, o muro poderia ser algo positivo.

Roger Waters concedeu uma longa entrevista sobre o álbum e, ao citar essa música, comentou a educação que recebeu na infância:

“Quero deixar claro que alguns dos homens que davam aula (era uma escola para meninos) eram caras muito legais, não quero fazer uma condenação geral de professores em todos os lugares, mas os “ruins” podem realmente acabar com as pessoas – e havia alguns na minha escola que eram simplesmente incrivelmente maus e tratavam as crianças tão mal, apenas colocando-as para baixo, o tempo todo . Nunca as instigavam a fazer as coisas, não tentavam gerar interesse por nada, apenas queriam mantê-las quietas e imóveis, e espremê-las em determinado formato, para que entrassem na universidade e “ficassem bem”. (Fonte)

Ou seja, a música não condena a educação em si, mas o sistema educacional, que muitas vezes visa transformar os alunos em marionetes, controlando seus pensamentos, em vez de promover a reflexão e a criatividade.

Quanto ao “tijolo no muro/parede”, sempre tive outra interpretação. Considerava que nós fôssemos apenas mais um tijolo pré-moldado, e que essa educação repressiva buscasse manter todos iguais, agindo como em uma linha de produção em que não há espaço para o diferente.

2. Wish you were here

How I wish you were here
We’re just two lost souls
Swimming in a fish bowl
Year after year

O álbum Wish you were here trata de temas como a ausência, a indústria musical e o distanciamento e a deterioração de Syd Barrett. Quando eles estavam terminando uma das canções mais lindas de todo o rock, “Shine on you crazy diamond”, Syd apareceu no estúdio e ninguém o reconheceu, ele havia ganhado muito peso, estava careca e mal conseguia entender ou falar sobre o que estava acontecendo. As pessoas ficaram arrasadas ao vê-lo assim. (Fonte)

Wish you were here é uma música cuja melodia representa uma ideia perfeitamente, você não precisa entender nada da letra para saber que há um sentimento de perda, que pode ser de uma pessoa, de um sonho ou dos seus heróis. Traduz-se também naquela palavra que eles não conhecem: “saudade”, mas de um jeito mais triste: a inconsolável melancolia pelo que não foi, não aconteceu.

wish you were here pink floyd album gif animado

3. Time

No one told you when to run,
You missed the starting gun.

Time faz parte do lendário álbum “The Dark Side of the Moon”. A canção retrata o instante em que você percebe que não viverá para sempre e que a passagem do tempo é inevitável.

Primeiro, é como se vivêssemos a vida por viver, vendo a hora passar e esperando talvez que alguém viesse nos mostrar o caminho.  Há muito tempo pela frente e tudo bem desperdiçar um pouco. Uma hora você “desperta” e percebe que dez anos se passaram. Você tenta correr para alcançar tudo o que perdeu, porém já está mais velho e não consegue mais ser tão rápido.

Interessante pensar que Roger Waters não tinha nem 30 anos ainda quando escreveu essa música e, hoje, aos 73, seu legado musical demonstra que o tempo dele não foi nem um pouco desperdiçado. 🙂

dark side capa animação gif pink floyd

4. Comfortably Numb

I can’t explain you would not understand
This is not how I am
I have become comfortably numb

Essa música está no “The Wall”, sobre o qual já comentamos, e é uma das poucas faixas do álbum que Gilmour e Waters compuseram juntos, além de dividirem os vocais.

Os solos de guitarra são famosos e já foram eleitos os maiores de todos os tempos do rock mais de uma vez. Além disso, muitos consideram essa música a mais representativa do Pink Floyd e, talvez, a explicação esteja justamente na colaboração entre os dois membros principais, que não é tão abundante no restante do trabalho da banda, pois por muito tempo houve dissidências entre eles, que inclusive levaram Waters a deixar o Pink Floyd em 1985.

De forma muito simbólica, foi a última música a ser tocada pela banda completa, no Live 8, mais de 20 anos após seu último show juntos. Richard Wright faleceu em 2008, então isso realmente não se repetirá.

5. Brain damage

And if your head explodes with dark forebodings too
I’ll see you on the dark side of the moon

Mais uma música do The Dark Side of the Moon e mais uma inspiração na instabilidade mental de Syd Barrett, mostrando como ele permaneceu presente de alguma forma em toda a trajetória da banda, inclusive como impulso para muitos questionamentos.

Os versos iniciais “The lunatic is on the grass” referem-se a como uma pessoa ao desobedecer uma regra simples, “não pise na grama”, pode ser tachada de maluca, mas Roger Waters insinuou em entrevistas que não deixar alguém desfrutar de algo tão bom é que pode ser a verdadeira insanidade. Pink Floyd é uma banda que sempre nos convida a reflexões.

pink floyd membros banda gif animado

Com essa introdução, agora você já pode partir para Echoes, de 25 minutos! Hehe

Curiosidades literárias sobre o Pink Floyd:

  • O álbum “The Dark Side of the Moon” de fato sincroniza-se com a adaptação cinematográfica do livro “O Mágico de Oz”. É possível ver os detalhes neste link.
  • Há muitas referências literárias na obra deles, como Sorrow, que contém partes de The Grapes of Wrath, de Steinbeck, e o álbum Ummagumma, repleto de citações ao mito de Sísifo. No entanto, a grande inspiração literária vem no disco”Animals”, com referência ao livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. Veja mais detalhes aqui.
  • Há centenas de livros sobre o Pink Floyd, entre eles, destaca-se “Inside Out“, escrito por Nick Mason, baterista da banda, que raramente compôs letras de música. Também vale mencionar que ele era a pessoa certa para relembrar todas as fases do Pink Floyd, pois ele foi o único membro sempre presente. David Gilmour chegou poucos anos depois, Richard Wright foi demitido na época das gravações do The Wall (porém depois retornou à banda) e Roger Waters saiu nos anos 1980.

~ ~ ~

Se a sua música preferida não estiver aqui, não fique triste. Aproveite para dizer nos comentários quais faltam e por quê. 😉 Começo por mim mesma a reclamação: minha canção preferida do Pink Floyd ficou de fora! Não a considero uma faixa tão significativa na história da banda, porém, sim, na história da minha vida.

Passei um bom tempo da vida como uma múmia. Eu não estava parada, mas dentro de mim algo se apagara. Fazia muitas coisas, sim, mas vivia por obrigação. Existia por costume. Eu não tinha um sonho sequer. Nada do que eu fazia era por prazer, era apenas o que deveria ser feito naquele momento.

Um dia, indo para o trabalho a pé, Coming back to life começou a tocar e tive um momento de epifania. Eu me emociono bastante com música, mas nenhuma jamais havia me tocado daquela maneira, foi como se aquelas notas e palavras tivessem em um lampejo descoberto esse espaço abandonado dentro de mim. Senti muito o momento.

Aquele “Where were you when I was burned and broken” foi como um punhal que me machucou sem dó, porém me acordou. Essa “viagem celeste” pelo silêncio, afinal, ninguém poderia responder à pergunta, ajudou-me a querer muito extinguir o passado e voltar à vida. Essa música resgatou a “vontade” em mim, iluminou um espaço vazio.

I took a heavenly ride through our silence
I knew the moment had arrived
For killing the past and coming back to life

Desde então a pergunta inicial vem se ressignificando. Onde eu mesma estou quando mais preciso? Não posso ser tão cruel comigo, nem me abandonar. Isso significaria desistir, quando ainda há um sol resplandecente ao longo do caminho. 🙂

And headed straight… into the shining sun

Obrigada, Pink Floyd!

~ ~ ~

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29 comentários sobre “Cinco músicas para gostar do Pink Floyd

  1. Seu texto ficou magnífico, Val!
    É incrível, quando paro pra pensar, que cada música do Pink Floyd, cada nota e verso, traz emoções, lembranças e histórias daquelas pessoas que as ouviram à tona. No seu caso, foi “Coming Back to Life” (uma das músicas mais belas deles, por sinal); no meu, “Comfortably Numb”; já o ponto fraco de uma amiga minha, por exemplo, é “High Hopes”, e lista poderia continuar. É um baita legado o que esses senhores criaram, não acha? ^^
    Abraço!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Oi, Igor, que legal seu comentário. Ganhou prêmio de melhor da semana! hehe Engraçado que as pessoas estão de boa entendendo a seleção de músicas sem nem falar nada… Talvez entendamos essa relação que você falou, que é algo mto pessoal. Aquela música que te toca de maneira diferente. Não é melhor ou pior, é a sua música, né?
      E, sim, um enorme legado. Não falei no post, mas outra coisa que acho interessante do Pink Floyd é que é uma banda altamente possível de se ouvir a vida inteira sem enjoar. Para mim, pelo menos, nenhuma música virou aquela que não aguento mais, sabe? rs. É um rio mto profundo, não se esgota mesmo. Bjos e obrigada pelo comentário e pela visita!!

      Curtido por 2 pessoas

      1. Eu não conseguiria chegar aos pés da sua descrição do Pink Floyd, Val: é uma banda que caminha junto com a gente, não importa quantos anos passem.
        Ah, Val, aproveitando a oportunidade, seus vários “Cinco músicas para gostar de…” são incríveis! Escreva mais deles! *-*
        Epa, ganhei um prêmio, aee! Vou comentar mais vezes pra ver se repito a façanha, nunca se sabe 🙂

        Curtido por 2 pessoas

      2. Que legal, Igor!! 🙂 Obrigada por gostar dessa seção do blog 😉 Dá um trabalhão, tenho que ficar ouvindo tudo, mas é um “trabalhão” gostoso, até, né? hehe
        Bjs!!

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  2. Legal!
    Quando criança, ouvia muito o Dark Side of the Moon porque minha irmã colocava pra tocar o dia todo. Achava meio enfadonho. Mas só conheço isso… depois vou ouvir as outras músicas com mais calma, mesmo que seja só por curiosidade.
    Beijos!

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    1. Hehehe Gostei da sinceridade. Essas bandas sempre valem dar uma escutadinha de novo, anos depois, vai saber, né? Bjos e obrigada pela visita!!

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  3. Me assusta ler comentários do tipo: “meu pai escutava” rssss (isso me aproxima da possibilidade de virar passado também)
    Mas… falar de Pink Floyd é falar de álbuns célebres da música. É uma daquelas bandas que o tempo não consegue apagar. Resistem, até hoje, na memória dos filhos que ouviam o pais que ouviam Floyd. Cito-me como exemplo. Dos “bolachões” de vinil e das agulhas ululantes, todos os LPs do Floyd até Final Cut, rodaram mais de um milhão de voltas ao mundo no meu primeiro toca-discos Philips. Muito, mas muito jovem aprendi a gostar do que chamavam de progressivo, de psicodelismo, seja lá qual rótulo for. (havia em mim um certo grau natural de insanidade, como dizia minha mãe ao me ver trancado no quarto por horas lendo e relendo as letras das músicas com o som “talado” no volume máximo). Pois bem, os anos passaram, minha mãe já não me ouve e minha filha completou recentemente seus 20 anos de idade. Nostalgia pura ao relembrar das calças jeans rasgadas pelo uso excessivo, dos tenis Converse – All Star e Bamba que me acompanhavam as camisetas surradas da minha banda favorita, Pin Floyd. Certamente minha pequena foi influenciada pelo pai que chorou feito criança quando assistiu um único e inesquecível concerto da banda ao vivo lá para as bandas do velho mundo. Afirmo, sles são fantásticos! Será uma pena se as novas gerações não estenderem o legado Floydiano para o futuro. Parabéns Val, é isso aí. Obs.: Não saberia elencar essa ou aquela música como minhas favoritas, pois quando ouço Floyd, ouço como canções que se emendam umas as outras sem nos permitir escolher qual delas é a melhor…hehehe

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    1. Amei esse comentário, fiquei emocionada. É legal despertar memórias e sentimentos, ainda mais essas lembranças entre gerações. Entendo o que você fala sobre a “emenda” entre as músicas, como se fossem uma coisa só. Muito obrigada mesmo pelo comentário, adorei. 🙂

      Curtido por 1 pessoa

  4. Val, só uma palavra: SENSACIONAL!
    Pink Floyd é uma banda muito especial para mim e você conseguiu captar esse sentimento. Como o Igor disse acima, suas músicas nos acompanham, e para cada momento da sua vida tem sempre uma música do Pink Floyd que se encaixa perfeitamente.
    Concordo com você quanto à qualidade das canções quando não é necessário saber a letra para saber sobre do que a música se trata.
    Venho tentado fazer uma resenha dos discos do Pink Floyd, um a um, já publiquei de Animals e Atom Heart Mother e semana que vem é a vez de A Sacerful of Secrets. Confesso que é muito difícil passar o que se sente ao ouvir as músicas da banda. Mas você brilhantemente conseguiu.
    Continue com esse quadro, ele é muito bom. Agora melhor ainda com Pink Floyd tocando!!!
    Grande Abraço.

    Curtido por 2 pessoas

    1. Oi, Gabriel, que legal seu comentário!! Eu já vi as resenhas dos discos no seu blog e gostei bastante, mas não sabia que você pretendia fazer de vários deles 🙂
      Obrigada pelo comentário e pelo apoio!! 🙂 Fiquei feliz que as pessoas foram compreensivas com a lista, qdo se trata de uma banda que a gente gosta muito, cada um tem aquela música que toca mais, né?
      Obrigada, Gabriel 🙂

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  5. Parabéns, Val!!! Mais um show!!!! Minha preferida é Time, ou será Echoes!!!! Amo quase todas – só não gosto do álbum “The Final Cut”!!! E a propósito do comentário do Batschauer: meu pai não ouvia Pink Floyd, mas eu ensinei as minha filhas a ouvir. Um abraço!!!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Oi, Paulo! Obrigada por ter aceitado o convite… hehe Muito legal isso de as gerações irem passando suas preciosidades umas às outras 🙂 Ouvi The Final Cut inteiro e em alguns momentos realmente não curti 100%, mas Not Now John foi uma da qual gostei bastante 🙂
      Muito obrigada pela visita! 🙂

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  6. Fantástico post.
    Mas falando da banda, comecei ouvinro quase todas essas músicas aí que você citou, passou-se dois anos e cá estou, com o spotify lotado de relíquias da música, não consigo dizer qual álbum é o melhor, quem diria uma só música. Pink Floyd me faz ter vontade de viver, de encarar tudo e todos. Já foram incontáveis vezes de realmente viajar na música, e não sei quanto ao seu liberalismo Val, mas com aquele “joint” pré álbum fica ainda melhor rs. Uma pena pessoas da minha idade não ouvirem mais isso, mas com certeza irei levar o legado floydiano, como o amigo ali de cima falou, pras futuras gerações.

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