Resumo de tudo – 16/02/2018

Olááá!

Alguém aí?

🙂

Estive fora devido a GRANDES novidades! Eu mudei de emprego, de vida, finalmente! Para resumir, eu trabalhava com tradução, em casa, para uma grande empresa, mas este ano realizei um sonho e troquei 10 anos como tradutora pela experiência de retomar algo que eu não fazia havia muito tempo: dar aula. Eu dei aula de inglês por mais de cinco anos, mas vivenciei pouquíssimo o que é ensinar língua portuguesa. Bom, participei de algumas etapas de um processo seletivo e agora há um mês estou trabalhando com o que sempre quis: sou professora de português!!!

Eu sei que é difícil entender como que uma pessoa que trabalhava em casa, para uma grande empresa, com diversos benefícios (não precisar me deslocar em São Paulo já é um ótimo, só para começar, né? rs) e com algo que já estava “escaldada” resolve lidar com adolescentes (!) e em uma profissão tão pouco valorizada em nosso país…  Não tem muito o que explicar, mas talvez dê para começar dizendo que eu queria um trabalho que me fizesse sentir viva, no qual eu sentisse que poderia contribuir com algo. É a literatura também… é a nossa língua maravilhosa, que me emociona. É o futuro das pessoas… É ensinar, mas também é aprender. É tudo o que eu amo.

O começo, até agora, teve momentos difíceis. É MUITO cansativo ser professor… rs Fico em pé o dia inteiro, chamo e chamo de novo os alunos mil vezes. “Já copiou, Matheus?”, “Entendeu, Luan?” devem estar no topo das minhas falas. Já chorei um monte por causa desses alunos. Já chorei até na frente de alunos 😦 Já pensei “que porcaria de aula”. Já levei música que eles não entenderam nada. Já expliquei coisas de mil formas que eles parecem não ter entendido até agora. Já gritei. Já dei bronca. Já tirei ponto. Você pensa que vai fazer as coisas assim e assado, só que na hora não é bem aquilo. Aí dá certo em uma sala, e na outra é uma desgraça. Acha que vai abalar e seu aluno começa a bocejar.  haha Já levei Clarice, Drummond, Caetano, Titãs, Legião e já pedi para lerem um livro do Saramago, claro. 🙂

Bom é o sentimento de estar onde eu queria estar. De trabalhar sem perceber o tempo todo… de passar Carnaval, sábado, domingo, de dia e de noite pensando nas aulas, preparando, corrigindo redações. Podia dar uma pausa na hora de dormir, porque sonhar com a escola cansa um pouco… rs Só que vem aquele sentimento muito bom, mesmo com tudo de esquisito que possa acontecer no caminho, que essa SOU EU… Não parece mais que estou vivendo a vida de outra pessoa… parece que eu devia estar lá mesmo, dando aula, conhecendo essas pessoas, ofertando o meu melhor, mesmo que elas não saibam metade das palavras da música do Caetano que eu levei, tudo bem. Estou lá para elas, não para os alunos perfeitos do mundo dos sonhos. Para mim, é como um chamado, aqueles alunos são os meus alunos. Mesmo que eles façam cara de tédio, mesmo que eles falem que a outra professora fazia desse ou daquele jeito, mesmo que eles não tenham bons modos, aqueles são os meus alunos.

É como uma nova religião para mim. A sala 3 é minha igreja. Aprender juntos é minha nova missão. Conhecimento é Deus. ❤

Trabalhei muuito e vou continuar num esquema frenético, porque preparar aula leva tempo e dar aula gasta muita energia. Chego em casa em um estado catatônico… rs Mas espero continuar com o blog nos tempinhos que eu conseguir. Vou ler mais livros voltados para ensino médio e fundamental, é verdade, mas alguma leitura vai aparecer por aqui, com certeza 🙂

Entre um “Vou fazer a chamada” e outro, fiz algumas coisas bem legais no último mês. Resuminho:

  • Fui ao show do Mayer Hawthorne, no Cine Joia! Foi muuito legal, adorei o show, adorei o Mayer, adorei a casa! É muito bom ir a um show em que você conhece todas as músicas e até as dancinhas! Rs Adorei que ele cantou músicas do Tuxedo ->
  • Vi a peça “A Visita da Velha Senhora”, do Friedrich Dürrenmatt, com a Denise Fraga, no teatro da FIESP. Muito boa e com um tema especial para o nosso tempo (todos, talvez?): a fragilidade humana diante do senhor da vida – o dinheiro. Pena que só vai até dia 18/01, mas no sábado e domingo, você pode chegar às 13h00, que eles distribuem cinquenta ingressos de graça para a peça à noite 🙂

Lá no mesmo prédio, havia três exposições gratuitas, uma com fotos de São Paulo nos anos 1930, outra Ready-made in Brazil (que já acabou) e outra do artista Rafael Silveira.

ready made brasil monaliza
Exposição Ready-made in Brazil

Eu gravei um vídeo de algumas obras em movimento com releituras de peças famosas de Marcel Duchamp, mas acabei de descobrir que meu site não tem suporte a isso e eu deveria mudar para um plano premium. 😦 Bom, continuando…

Caixa mágica livro rafael silveira
Muito interessante: nessa caixa mágica, onde pessoas eram “serradas”, bem no meio, há um livro… por que será?
livros abrem cabeças
Na lateral, uma dica: “livros abrem cabeças” e “Cabeças abrem livros” 🙂
peixes e redes
Peixes, redes e um peixe-coração
Essa foto não é minha, é do site Criança na plateia. Esse sorvete enorme é feito de um material com aquelas bolinhas, parece um travesseiro gigante. Os visitantes podem deitar lá e até mesmo entalar e não conseguir levantar por um bom tempo. 😐
"A flor da pele"
“À flor da pele” e alguns quadros ao fundo.
são paulo fotos
São Paulo nos anos 1930
  • Eu também fui à exposição do Renato Russo no MIS, que também só dura até dia 18. Aproveitem o final de semana, está demais!! Seis reais com carteirinha de estudante, você consegue comprar lá na hora, não precisa ser pelo site, que é bem mais caro…
  • Li um livro… Estive muito agitada com tantas mudanças e não conseguia me concentrar em leituras, mas consegui ler “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, pois é matéria do 3º Ano do Ensino Médio e vou precisar comentá-lo com eles 🙂 Em breve sai o post também!

Obrigada a você que chegou até aqui e… espero voltar em breve com minhas leituras 😉

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34 comentários em “Resumo de tudo – 16/02/2018

  1. Nossa, que lindo, que lindo, que lindo esse texto! Que autêntico. Estou tão feliz por você que não tem mesmo como explicar. Muito feliz! ❤

    "Só que vem aquele sentimento muito bom, mesmo com tudo de esquisito que possa acontecer no caminho, que essa SOU EU… Não parece mais que estou vivendo a vida de outra pessoa…" – eu queria muito, muito isso… Eu ainda sinto que estou vivendo a vida de outra pessoa.

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    1. Ei, Camis 🙂
      Obrigada!! Não tinha respondido ainda por aqui 🙂
      Cada dia é muito diferente do outro, às vezes dá vontade de sair correndo, em outros fico mais contente. Hoje é sexta-feita, então o quadro está bom. hehehe

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  2. Sim, fizesmo a pergunta, como deixar um trabalho em casa p ir p sala de aula? Rsrs Compreendi a motivação.
    Eu andei em sala de aula, e tb queria transformar o meu mundo. Vc consegue 1, 2 ou 3 alunos, mas esse pouco fe tantos é muito gratificante. Espero q tenham se multiplicado.

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    1. Oi, Silvana! Obrigada pelo comentário. Demorei muito a responder, eu sei, mas já tinha lido e ficado feliz com suas palavras. É difícil ser professor, há dias desesperadores, quem sabe, se Roberto Carlos estiver certo, “o importante é que emoções eu vivi”… rs
      Eu vi o Lusíadas em quadrinhos que você me mandou no fb! Eu tinha visto já na biblioteca da escola e acabei adotando 🙂 Vamos ver o que sai dali… rs
      Bjs!! Obrigada.

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  3. Oies Val! Mulher fico muito feliz por ler isso 🙂 Lembro de como você disse que estava insatisfeita com a sua vida profissional naquela resenha do livro do Cortella, foi atrás, estudou, batalhou e hj alcançou o seu objetivo, mesmo sabendo das dificuldades que enfrentaria. Sei que fará a diferença e não só para seus alunos, mas para professores (e iniciantes como eu, rs). Vai com tudo! Parabéns pela força 🙂 Bjos

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    1. Oi, Cá!
      Muito obrigada pelo comentário 🙂 Cada dia é uma batalha, realmente é muito intenso ser professor. Para os alunos pode parecer que você só está ali falando algo que já sabe há muito tempo, do outro lado, the struggle is real… rs Bjs!!!

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  4. Parabéns, Val! Amei o post! É normal ter um período de adaptação quando a vida muda tanto assim, mas dá para perceber a sua felicidade e empolgação pelo texto! Muita realização na sua nova carreira! ❤

    Beijo,
    Brenda
    sobrelivrosetraducoes.com.br

    P.S.: Se você tiver um tempinho e vontade, adoraria publicar um texto seu no SLET com esse assunto (mudança de carreira, principalmente de alguém que trabalhava como tradutora e optou por deixar a profissão). 😉

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    1. Oi, Brenda!
      Agora você está em Amsterdã curtindo muito, pelo que vejo no Instagram, né? 🙂
      Obrigada pelo comentário 🙂 Poderia sim fazer o post. Posso até usar minha experiência para mostrar algumas características que a pessoa precisa ter para realmente gostar de traduzir e não se cansar do trabalho que pode ser um pouco cansativo. Posso falar sobre a realidade da maior parte dos tradutores, que não é de traduzir coisas “legais”… rs Bjs!

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  5. Que legal, Val! Que bom que você está se sentindo realizada nesse novo momento da vida e nessa profissão que por muitas vezes nos desanimam (já fui professora também!). Muita sorte em tudo! Um abraço.

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    1. Obrigada, Sarah!!
      Realmente, há dias e dias. Às vezes nada faz muito sentido… Dá vontade de sair no meio da aula e tchau, mas vamos pesando, né? Bjs e obrigada 🙂

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  6. Que inspiração! Realmente deve estar sendo uma aventura, mas no fundo, o que os alunos precisam é de professores inspiradores e que se dedicam assim como vc, eu lembro bem das minhas professores de português do ensino médio, e a que eu lembro com mais carinho era a que mais se esforçava para que adolescentes de uma escola pública prestassem a atenção nela!
    boa sorte e continue relatando suas aventuras!
    ps lindas fotos
    ps 2: Eu e meu namorado começamos um novo blog, se você quiser dar uma olhadinha, acessa o link http://www.imprecisao.com.br/, obrigada

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  7. Val, boa sorte na sua nova carreira (^_^).
    “(…) já pedi para lerem um livro do Saramago (…)” – Se eu fosse sua aluna, você seria minha professora preferida.
    Esse sorvete de casquinha parece coisa de filme de terror, hahaha.
    Beijos!

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  8. Esse post é uma inspiração! Muito obrigada por tê-lo escrito! Também já tive a experiência de dar aulas para Ensino Fundamental e as pessoas torcem o nariz quando digo que gostei da experiência. Pretendo voltar com essa atividade num futuro bem breve! Desejo o melhor para você nesse novo caminho!! Beijos!

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    1. Oii!! Obrigada pelo comentário 🙂
      Ensino Fundamental é bem difícil, se você gostou, acho que isso quer dizer bastante sobre sua qualidade como professora 😉
      Bjs!!
      Val

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  9. Parabéns pela decisão. Se todos os professores pensassem assim, o Brasil não estaria nesse buraco. Claro que não é um trabalho fácil, mas, quando gostamos de uma coisa, o difícil torna-se prazeroso demais para notarmos. Abraços!!

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