Resumo de tudo – sendo estranha.

Eu estou em um dos lugares mais legais de São Paulo, a Biblioteca (do) Parque Villa Lobos. Este blog aqui é um caso sério. Um espaço amado, com muitos pedaços de mim. Talvez por isso mesmo seja tão complicado. Já me acostumei comigo e sei que é assim que vou sendo, não tem jeito. Eu sou muito sensível a tudo, fazer o quê? O meu pensamento é um grande nada, mas com pretensões de abarcar tudo. Rs. Comecei a ler um livro do Pirandello, “Um, Nenhum e Cem Mil”, que é simplesmente o que a minha cabeça sempre foi, essa dúvida de “quem sou eu?” e a consciência de que cada pessoa que me conhece de alguma forma vê só uma parte de mim, de onde vem também uma quase condescendência para com as pessoas pela possibilidade de eu também ver só essa pequena fresta delas.

Não que seja extremamente importante que as pessoas saibam tudo, é um querer que não se quer, né. Como o blog. Eu o escondo até onde posso. Acabei de excluir o facebook do blog porque aparecem várias indicações de amizades com pessoas que eu conheço fora daqui e eu fico me perguntando se eu também apareço como indicação para elas, sendo que eu não quero que elas vejam minhas coisas, minhas leituras, meus gostos. Ao mesmo tempo o blog é uma tentativa de contato, claro.

O difícil é ser essa pessoa no intermediário de tudo. Eu me sinto abaixo de pessoas, que olha, não sei nem quem são, mas que podem achar tudo o que eu penso uma grande bobeira. Mas para pessoas que não leem ou não ligam para nada disso, eu posso parecer arrogante se ficar aparecendo toda hora na timeline que eu li isso e aquilo, e também não quero isso. É como se eu tivesse de me desculpar por não ser nem inteligente nem ignorante o suficiente para nenhum círculo. Complicado.

Para pessoas que não gostam de x, y e z, e não percebem como x, y e z podem ser legais, parece que você só diz gostar de x, y e z para aparentar algo. Às vezes você tem até que tomar cuidado com as palavras que usa, ou pode soar pedante sem querer. Parece que você está querendo “se fazer de intelectual”. Querendo se colocar em um degrau acima. Quando na verdade você só amou, de verdade, um livro. Ele se tornou seu, entrou nas suas veias, esse tipo de coisa.

Há também aqueles comentários sobre você ter que dar uma chance a esse ou àquele tipo de livro. Chato, né? Um livro pra ser bom tem que ser aquilo que o Kafka falou… um machado… cortando geleiras, ou algo assim… Para todo o resto, há outros meios, para mim.

As pessoas estão muito bravas atualmente com os isentões, mas talvez eu esteja no subtipo isentão que vê tudo com tantas variáveis, o mundo simplesmente parece tão complexo para que eu escolha algo como definitivo, eu não consigo ser 100% nada, acho que nem existe isso. O lado ruim é que a gente vai se apagando em conversas, evitando debates, desgostando de contatos. E parecendo burro também. Parece bem mais inteligente ter certeza de algo, não é? Parece que a pessoa estudou e pesquisou tanto, assim uma conclusão foi inevitável.

Faz um tempo que percebi que as pessoas têm essa persona social que contribui para que elas permaneçam sãs. E bem educadas. Eu tento ser assim, também, claro, o problema é que cansa muito e traz um conforto momentâneo, mas apaga várias outras coisas lá dentro. É uma dorzinha de não ser você mesmo. Esse sentimento de não pertencimento. De não ser de nenhuma tribo, de não ser nada o suficiente. De constatar que o pensamento das pessoas, bom, o funcionamento da cabeça delas, é tão diferente, que não dá para se conectar a nada.

É como o homem do coco outro dia, me perguntando se eu tinha pedido a Deus pra que desse tudo certo. Bom, por onde começar? Apertando o botão da socialidade, claro. “Sim”. Mas quem é Deus? Será que existe mesmo? Se existe, faz diferença? Se há uma força universal, porque ela fica atendendo a pedidos? Será que os outros candidatos não eram melhores do que eu? Deus não deveria ser imparcial nisso?

Aí escrevo isso aqui já sabendo que estou parecendo muito arrogante, mas é que de vez em quando essa tristezinha é muito real. 2016 foi um ano que mudou tanta coisa e até agora nada está acomodado. Como pode tanta coisa mudar sem que quase nada mude de verdade? Impossível. Ainda está tudo se remexendo. É que sendo essa pessoa que não sabe nada, a única certeza que eu queria muito ter e que buscava diariamente era a veracidade do plano de Deus para a nossa vida aqui. Quando isso foi embora, pai do céu, foi tudo. Fui caindo e batendo em tudo. Zoou com a minha vida. Agora que não sei nada mesmo.

Sei lá, tudo foi um erro, engano. Fiz tudo errado, mas nem dentro nem fora da igreja eu estaria certa. Um lado positivo foi descobrir que, de qualquer forma, eu seria essa pessoa estranha mesmo. Eu sinto que precisaria de um ano isolada de tudo para tentar conseguir começar a entender alguma coisa. Mas eu não queria ficar sozinha, por outro lado. Acho que queria, sim, na verdade. Até um pouco mais normal eu queria ser, mas no fundo eu não queria não pensar o que penso, só queria dar uma canalizada para algo legal, como o blog, mas também não tenho conseguido, eita.

Eu vim aqui para a biblioteca para começar e terminar meu TCC da especialização, mas só consigo pensar nessas coisas, que na verdade nem são coisas. Por que eu não consigo ser um pouco mais prática, né?

Li um monte de livro este ano e queria vir falar deles aqui. Vou combinar um negócio comigo, bom, pelo menos eu queria, é que a minha palavra comigo mesma não é lá essas coisas: eu vou escrever aqui do jeito que for. Sem pretender “finalizar” o assunto dos livros. Tentar um parágrafo, quem sabe, só uma impressão. Eu gosto demais deste lugar. Aqui provavelmente eu sou o mais eu que consigo ser, mesmo sem saber quem é esse eu, que ainda está caindo naquela espiral do “sua vida foi uma mentira até aqui, será que continuará sendo?”.

Eu me sinto bem escrevendo aqui. Imagine, só, por esses parágrafos, a confusão que a minha cabeça é. Isso porque com certeza eu não penso como escritora, com palavras e frases. Está mais para uma gota do oceano amplificada. Então pode me fazer bem dar uma organizada de vez em quando, mesmo que seja bem momentâneo 🙂

 

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13 comentários em “Resumo de tudo – sendo estranha.

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  1. Oi, Val! Fico feliz que você tenha voltado a escrever aqui.
    Eu também voltei este mês e fui logo procurar seus posts e fiquei triste por não ver atualizações.
    O que você falou faz total sentido para mim. É tipo aquela música da Legião que diz: “e a mudança levou tempo, por ser tão veloz”. rs
    Tem horas que a gente precisa de um tempo para digerir as coisas antes de poder vir aqui escrever. Se a vida e a cabeça estão confusas, como conseguir colocar para fora?
    Respira fundo, que a gente tá aqui na torcida!
    Beijos!

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  2. Oi Val, que bom que voltou a escrever. Senti falta dos seus posts.
    E não é que somos todos meio confusos? O bom da escrita é que nos ajuda a colocar em “ordem” o caos que reina dentro das nossas cabeças. Às vezes pode parecer que é apenas um desabafo, mas nunca se sabe a quem as nossas reflexões podem ajudar.
    Beijo

    Curtido por 1 pessoa

      1. Mas Val, you’re welcome, pow 🙂 eu quem agradeço a sua volta 🙂 Ótimo dia para você e tudo o mais!

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  3. Ah, dizer que fico feliz por ler seus textos novamente soa repetitivo, mas é a verdade! E acho importante e admiro pessoas que conseguem respeitar os seus tempos e aprendem a lidar com todas as mudanças que acontecem. Seja bem vinda de volta! 🙂

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  4. Olá, Val!

    Adoro ler seus resumos da semana, por favor não nos deixe sem eles. Já está ficando monótono ler os resumos que já li várias vezes, rsrsrs.
    Acho interessante sua vida e sua rotina, e em cada trecho que você as descreve fico imaginando como deve ser.

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