Eu

Eu sou a Valéria. Já dizia eu ao gravar por cima das fitas k7 da minha irmã. Nasci nos anos 1980. Sou formada em Letras – português e inglês. Trabalho como tradutora, porém meu coração não está aí. Queria estudar mais, ler mais. Atualmente estou ansiosa demais para poder fazer qualquer coisa legal, mas até que estou tentando. Curso uma especialização em Tecnologias na Aprendizagem. Demorei demais para isso, até. Queria fazer mestrado em Literatura. Como? Horários, trabalho, cuidar de pessoas.

Gosto de ler, mas não sou uma apaixonada. Livros fáceis demais (não a leitura em si, mas uma ausência de sentimentos, algo assim) me cansam e, quanto aos livros bons de verdade, parece que não tenho tempo suficiente para estudá-los da melhor maneira. Meus preferidos: Crime e Castigo, Memorial do Convento (Saramago), São Bernardo (G. Ramos), O Último Voo do Flamingo (M. Couto), O Pequeno Príncipe, O Velho e o Mar… Tenho vontade de ler para sempre O Velho e o Mar, de tão maravilhoso.

Durmo em todos os filmes, mas gostei de Clube da Luta, A Noviça Rebelde, A Pele que Habito, O Senhor dos Anéis, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças… Gosto muito de música. Queen é uma das minhas bandas favoritas. De vez em quando, eu me reapaixono por Beatles e quase nunca volto a ouvir Chico Buarque — no momento, estou de bode dele, adotei o Tim Maia.

Sempre vamos ter Shakespeare, não é verdade? Sei que esporte não é droga, eu deveria praticar. Sobrevivo de caminhadas. Amo andar de carro à noite, mas é claro que não dirijo. Acho que a vida está em descompasso com o meu tempo, devo ser muito devagar mesmo, mas disso eu gosto. Uma pessoa tão indecisa quanto eu não pode se afirmar nem de direita nem de esquerda. Há ideias que admiro em ambos os lados e ser ponderada ao extremo é uma das coisas que mais gosto em mim.

Moramos em São Paulo. Eu e o Eduardo. Adoro viajar e preciso mais disso na minha vida. Gostei muito do Museu Felicia Leirner em Campos do Jordão, é esse tipo de lugar que mais me agrada. Amo ficar sozinha. Chocolate amargo. 70% cacau para cima são meus preferidos. Pão de queijo eu poderia comer todo dia, com Toddynho, mas estou em eterna dieta precisando emagrecer 20 kg, então tenho dado preferência à rúcula orgânica que, miraculosamente, custa apenas R$ 1,00 na minha feira.

Gosto de cozinhar. Quando preciso levar uma sobremesa a algum lugar, a receita mais certeira é brownie. Também já entupi todo mundo com muita quiche de alho poró e empadinha de frango. Há algum tempo, não faço doces, só a comida do dia a dia mesmo, mas queria aprender a fazer bolo sem farinha, sem ovo, sem tudo, essas coisas todas bem fit.

Não fumo, não tomo café nem álcool, mas isso veio do fato de eu ter “pertencido” a uma igreja por muitos anos. Esse verbo é fogo, né? Não sei se vou me recuperar de tanta lavagem cerebral. Aliás, eu deveria congratular meu cérebro diariamente, pois ele ainda sobreviveu bem a tudo isso, quem sofreu mais no fim foi o coração, coitado, com tantos buraquinhos. Foi algo que moldou minha vida, para muito além de crenças. Claro que não dá para ser neutro nisso. Acho super lindo perdoar, mas eu tenho, além dessa pedra, infelizmente, pessoas com quem não vou conseguir me relacionar normalmente. Não tenho mais outra face para dar, nem que se pedisse qualquer outra parte, e isso me machuca muito.

Você que leu isso e nem me conhece já sabe muito mais sobre mim do que eu mesma há alguns anos. Mas porque eu não consigo ser normal? Essa é uma pergunta que vai me acompanhar para sempre, pelo jeito. Era só falar que moro em São Paulo, estou no começo dos 30, e gosto muito do Saramago. Só isso, minhas lindezas. 🙂